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A surdez no audiovisual

Publicado por Fonaudio em 21 de novembro de 2020

A experiência de ir ao cinema para assistir uma superestreia é única. Quem nunca passou pela ansiedade de ter que esperar o filme mais esperado ano? Quem nunca foi atrás das críticas antes de comprar os ingressos para a primeira sessão? Bom, nem todo mundo. Isso, porque a lei (14.009/20), que obriga as salas de cinema a oferecem acessibilidade para pessoas com deficiência visual ou auditiva, como audiodescrição e legendagem descritiva, apenas entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2020. É difícil acreditar que a acessibilidade só começou a ser garantida agora, não é verdade? Apesar disso, o cinema (assim como toda forma de arte) é inclusiva e nós podemos contar com a representatividade dos deficientes nas telinhas.

Pessoas com máscara no cinema. (Reprodução/Freepik)

La Famille Bélier – (França/2014)

A comédia dramática francesa estreou nas telas no final de 2014 e garantiu notas altas nas críticas por todo o mundo. O longa conta a história de Paula, uma adolescente com uma família ”incomum”. Ela, que enfrenta todas as questões comuns da idade, tem os pais e o irmão como portadores de deficiência auditiva. Contudo, com a ajuda de um professor, ela descobre que tem talento para o canto e que, inclusive, fazer parte de uma escola prestigiada em Paris… mas como ela poderia abandonar a família? No decorrer da obra, o filme nos entrega a possibilidade de aprender a compreender o outro. Isso, porque a história não se limita a mostrar os impasses ou superações acerca da deficiência. Nessa história, a Paula tem uma função essencial na dinâmica social: ela dá voz à família. É ela quem interpreta e integra o pai, a mãe e o irmão à comunidade rural em que vivem.

Crisálida – (Brasil/2016)

“Num universo onde o som não existe, jovens surdos enfrentam os desafios de uma sociedade desenhada apenas para ouvintes”. Essa é a sinopse da primeira série de ficção brasileira em formato bilíngue (português e linguagem de sinais), lançada pela Netflix, e baseada no filme homônimo. O seriado aborda a diversidade da comunidade com deficiência auditiva no Brasil, comunidade essa que conta com mais de 10,7 milhões de brasileiros. Cada episódio da primeira temporada, apresentada em 2019, narra uma história diferente e exibe situações familiares, sociais e emocionais daqueles que convivem com a surdez.

The Hammer – (Estados Unidos/2011)

Foram cinco anos de produção até finalizar o longa-metragem. Os produtores acompanharam o lutador e entrevistaram amigos e parentes, além de estudarem seus combates passado no período em que esteve na faculdade. O que difere a história dos demais filmes de luta, no entanto, é a perspectiva sobre a deficiência auditiva, já que o tricampeão de luta livre é surdo congênito (desde o nascimento). MattHamill iniciou sua carreira no MMA, onde competiu pelo reality The Ultimate Fighter.

Marie Heurtin – (França/2014)

Marie Heurtin é uma jovem francesa do século XIX que nasceu cega e surda. Sem conseguir se comunicar, ela vive em seu próprio mundo, mas seu pai a manda para um convento de crianças incapazes de ouvir. Marie é rejeitada por falta de condições da instituição, no entanto, por insistência da freira Margueritte, a madre suprema volta atrás em sua decisão e aceita a jovem. Aos poucos, a freira consegue ganhar a confiança de Marie, ajudando ela a se expressar. Baseado em fatos reais, a obra garante a carga emocional nos espectadores.

The Silent Child – (Estados Unidos/2018)

Vencedor do Oscar de 2018, o curta-metragem de 20 minutos conta a história de Libby, uma garota de 4 anos que nasceu surda, cujos pais ouvintes são ocupados demais para darem a atenção que ela necessita, e, por conta disso, imputam à assistente social Joanne a tarefa de ensinar a língua de sinais à filha mais nova. Libby viveu em um mundo de silêncio até aprender a linguagem, o que, certamente, emociona quem escolhe assistir a produção.

A Quiet Place – (Estados Unidos/2018)

Cena do filme ”Um Lugar Silencioso”. (Reprodução/Google)

Apesar de não retratar a deficiência, a trama conta a história de uma família que vive isolada numa fazenda em um mundo pós-apocalíptico, e que é perseguida por criaturas desconhecidas. Nesse terror, um mundo sem som significa a garantia de vida. Desse modo, para sobreviver, a família precisa manter silêncio absoluto, já que as aberrações são atraídas por sons. O longa-metragem é bastante corajoso ao  um filme cuja ausência de diálogo oral persiste por boa parte da obra. Vale a pena assistir e olhar para o silêncio com uma outra perspectiva.

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