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Animais podem ser surdos?

Publicado por Fonaudio em 18 de novembro de 2020

Os animais e, principalmente, os domésticos, são as alegrias de muitos lares. Companheiros nos dias bons (e também nos dias ruins), os bichinhos aquecem os nossos corações com as demonstrações de afeto, não é verdade? Um latido, uma rabinho inquieto, um pedido de carinho… são tantas as formas de comunicação entre animais-humanos, que torna-se claro a ”semelhança” deles para conosco.

Contudo, já passou pela sua cabeça a possibilidade de um animal nascer ou se tornar surdo? Causa certeza estranha divagar sobre esse tipo de situação, mas é algo que acontece e nós vamos te explicar o porquê.

Animais podem nascer ou desenvolver surdez. (Reprodução/Freepik)

Assim como nós, humanos, os animais também são detentores de sentidos. Obviamente, como cada espécie tem diferenças biológicas, alguns têm sentidos mais aguçados e outros não têm um ou mais desse tipo de mecanismo, mas o ponto é: todos têm pelo menos um – aquele que é necessário para a sua sobrevivência, seja no meio que for. Grande parte dos mamíferos, por exemplo, são ”equipados” com todos os sentidos, entretanto, a importância de cada um varia de acordo com a espécie. Dessa forma, em pássaros a visão é especialmente desenvolvida, sobretudo naqueles que caçam por comida utilizando a capacidade de ver. Já em répteis, o sentido mais aprimorado é o olfato.

Como mamíferos que somos, temos a capacidade de ver, sentir, tocar, cheirar e ouvir, e com os animais não poderia ser diferente. Portanto, à mesma maneira com quem podemos desenvolver deficiências, os animais também o podem. Assim, fica mais fácil imaginar o fora perguntado anteriormente, concorda?

Os sentidos

A visão permite ver o mundo que nos rodeia; o olfato dá a capacidade de sentir cheiros; o tato capacita o toque, o sentir e o agarrar; o paladar, por sua vez, autoriza sentir o gosto dos alimentos e a audição permite ouvir os sons. Para todos os sentidos, há estruturas anatômicas e biológicas que permitem a existência e a eficiência dessas percepções. Olhos, focinhos, língua, patas e orelhas. Logo, semelhantemente à espécie humana, as deficiências podem ser congênitas, ou seja, aquela que o animal apresenta desde antes do nascimento, ou adquiridas, como em casos de acidentes, doenças ou agressões, onde partes primordiais para o bom funcionamento da estrutura é afetado.

À vista disso, no caso da surdez é possível desenvolver novas habilidades ou amenizar algumas perdas, assim como é para nós. Os cachorros, que, claramente, não entendem o português, são peritos em análise corporal. É nossa fantasia conversar com eles e acreditar que os cães uma fala ou um texto. O que acontece é, eles ”leem” nossas expressões corporais, e, para os cães ouvintes, a análise do nosso tom de voz.  

Animais que não escutam o próprio som

Espécie de sapo da Mata Atlântica possui grau de surdez. (Reprodução/Foto: Carlos Alberto Coutinho/TG)

Uma descoberta de 2017, publicada pela Scientific Reports, da revista Nature, impactou a comunidade científica. Nesse estudo, chegaram à conclusão de que duas espécies de sapos da Mata Atlântica não têm tímpano. Apesar disso, elas possuem órgãos auditivos na orelha interna, mas que apenas são capaz de detectar frequências graves e agudas, porém não o próprio som. Essa surpreendente descoberta põe em cheque algumas afirmações do processo evolutivo animal, já que, normalmente, é exigida uma evolução conjunta de sistemas emissores e receptores de mensagens. Nesse caso, os observadores acreditam que a comunicação se dê de forma visual, uma vez que as fêmeas também não têm a capacidade de ouvir o canto emitido pelos machos.

Exemplo da capacidade incrível de aprendizado dos animais, é o da pug Bela, cachorrinha do Rio Grande do Sul, que aprendeu a reconhecer a Língua Brasileira de Sinais, embora ela não seja portadora de deficiência auditiva (mas os seus tutores sim). Desse modo, é evidente a possibilidade de ensinar um animal surdo a reconhecer sinais. O companheiro de João Gabriel, Jögen, é outro bom exemplo de inteligência. Segundo ele, não é fácil lidar com um cachorro surdo, mas o amor supera todas as barreiras. João tem ensinado seu amigo a reconhecer a Língua Brasileira de Sinais e tem obtido êxito. Hoje, esperto como é, ele já sabe como pedir para passear.

Jögen é um cãozinho surdo e foi adotado por João Gabriel. (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Bom, como você pôde ler, a surdez é algo normal. Pode acontecer conosco, com nossos vizinhos, com nossos amigos e, inclusive, com os animais. Em todo caso, o amor basta.

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