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Existe relação entre perda auditiva e demência?

Publicado por Fonaudio em 22 de outubro de 2020

Ouvir é ter a capacidade de reconhecer o som emitido. Assim, os sinais enviados pela cóclea chegam até o cérebro via nervo auditivo, que os transporta até o córtex responsável pela interpretação como ”sons”. O sistema nervoso, por sua vez, ”decodifica” as ondas captadas pelo ouvido e transformadas em sinais elétricos, o que relaciona, de forma direta, a capacidade cognitiva à audição. Já a cognição, é um mecanismo mental que age sobre a informação sensorial, buscando a sua interpretação, classificação e organização. De forma simplista, é um conjunto de atividades e processos pelos quais o organismo adquire informação e conhecimento.

O cérebro deixa de receber informações do dia a dia em pacientes que apresentam perda auditiva. (Reprodução/Freepik)

O neurologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, Paulo Caramelli, afirma que, para alcançar um mundo onde as pessoas possam viver mais e melhor, a pesquisa e o debate acerca das demências é fundamental. Segundo ele, a consequência do envelhecimento é o declínio das habilidades físicas e mentais, como memória, linguagem e raciocínio, entretanto, à medida em que não se descobre a cura para essa decadência, a prevenção é o melhor medicamento, e isso inclui cautela com o tabagismo, obesidade e perda auditiva.

De acordo com a pesquisa dirigida por Caramelli, o aumento progressivo dos casos de demência no mundo é mais intenso nos países em desenvolvimento. Isso, porque nessas localidades o controle dos fatores de risco é inferior ao controle de nações já desenvolvidas. Um desses fatores é a perda auditiva, que tem relação direta com a cognição e com a memória. O neurologista salienta que a perda auditiva na meia idade está relacionada ao aumento do risco de demência no envelhecimento, principalmente quando o grau é moderado ou grave.

Porque essas doenças têm relação?

O cérebro de quem tem perda auditiva deixa de receber informações do dia-a-dia de forma apropriada, o que o priva de ser estimulado. Ainda conforme Caramelli, ao perder a audição, a estimulação cognitiva diminui, e se isso acontecer na meia idade e perdurar por décadas, a ”reserva” cerebral capaz de contornar os efeitos de doenças que provocam demência também decaem. Dessa forma, o estímulo auditivo é importante para assegurar e incentivar a redes de sinapses entre os neurônios.

Um estudo publicado na Austrália, revelou que homens idosos com algum nível de surdez, apresentam risco 69% maior de desenvolver doenças mentais, quando em comparação aos que têm audição normal.

Reafirmando a pesquisa de Paulo, Mara Gândara, otorrinolaringologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirmou que quando perdemos a acuidade de ouvir, de forma plena ou não, deixamos de escutar não apenas a voz, mas todos os demais sons, como o barulho do vento e dos passos, o que contribui para o declínio cognitivo. Independente da idade, qualquer pessoa ao perder esse sentido, perde também a habilidade associada a ele, fazendo o cérebro sofrer com a privação.

Além disso, o estudo de Wingfield e Peelle (2012) mostrou correlação significativa entre a redução da acuidade auditiva e o volume de massa cinzenta no córtex responsável pela interpretação dos sinais oriundos da cóclea, sugerindo possível ligação biológica entre estimulação sensorial e integridade cerebral.

A prevenção é o melhor remédio

Nem todos dão à saúde auditiva a mesma atenção que dedicam ao rosto do corpo, e isso é fato. Contudo, agora você já sabe que a deficiência auditiva não tratada pode favorecer o surgimento e o desenvolvimento de diversas doenças, inclusive, de distúrbios neuropsicológicos. Diante disso, ficou claro a importância da audição, não é mesmo?

A recorrência dos estímulos que recebemos tem a maior importância, e cuidar deles não é tarefa difícil. Fones de ouvido, ruídos ambientais, limpeza excessiva e de forma incorreta, bem como o não tratamento de doenças do organismo, como a hipertensão, diabetes, alterações hormonais, infecções, sarampo, entre outras, podem provocar e agravar a perda do sentido. Por isso, valorize a sua capacidade de ouvir e cuide da sua saúde!

Referências: Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de São Paulo.  

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